sexta-feira, 30 de julho de 2010

MISSÕES URBANAS - Por Luiz Alberto Gomes

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Creio fielmente que a igreja moderna tem perdido a capacidade de se relacionar. Tudo tem tomado o nosso tempo: nosso trabalho, nossa família, nosso ministério, nossos problemas pessoais, em geral tudo tem tornado mais difícil para que as pessoas possam estar juntas.
Poder compartilhar com pessoas é um princípio cristão. Jesus nos ensinou muito sobre relacionamentos, Ele se relacionava com todo tipo de pessoas: discípulos, cegos, prostitutas, cobrador de impostos, líderes religiosos, bem com toda a multidão que o seguia.
Tenho visto nos últimos dias, em muitos ministérios uma grande preocupação com missões urbanas. Este tipo de missão nos leva a conhecer melhor nossa comunidade, as pessoas que convivemos diariamente, as suas necessidades, seus sonhos e projetos pessoais, enfim tudo que gira em torno de nossos relacionamentos locais.
As cidades têm crescido desordenadamente e as igrejas não estão sabendo se posicionar frente a este crescimento tanto populacional, como estrutural. Precisamos conhecer o “povo” das ruas, este povo não é mais o mesmo, pois muitas alterações sociais e econômicas fizeram que o perfil das pessoas que freqüentam as ruas de nossas cidades fossem transformadas também.
Os parques e praças públicas são habitadas por pessoas diferentes de nossa imaginação, o coreto não existe mais, a bandinha que tocava neles também não existem mais, as famílias deixaram de habitar também estes parques, conseqüentemente os indivíduos que vivem a margem da sociedade tomaram o espaço e fazem dele seu habitat.
Tribos urbanas ocupam espaços urbanos para se encontrarem e compartilhar suas ideologias e seus anseios, tipos urbanos que a igreja local não tem preparo para se comunicar e muito menos para cuidar destes dentro de suas paredes.
A igreja precisa acordar e se preparar para a invasão de jovens tatuados e com piercing, com roupas pretas e maquiagem pesada, carecas ou cabeludos, boné e bermuda, skate ou motos, pois Deus tem feito um grande reboliço no meio destas tribos, Deus têm chamado muitos destes para ser a liderança de uma igreja “exclusivista”. Pastores precisam conhecer a nova realidade urbana em que suas igrejas estão inseridas, precisamos treinar equipes de evangelismo específico para estas tribos, precisamos preparar a igreja local para poder receber este povo, precisamos entender a visão do “todo de Deus”, precisamos formar nossa visão no “todo” e não apenas em grupos específicos e comuns.
Veremos a implantação de igrejas alternativas, pequenos grupos voltando a se reunir nas praças e nas escolas, no trabalho, pelas ruas, pois o espaço das igrejas locais são restritos para estes grupos. Doutrinas de usos e costumes serão alteradas por doutrinas de relacionamentos íntegros e ajustados no princípio de respeito à individualidade e respeito às diferenças do homem natural/homem espiritual, onde os verdadeiros princípios cristãos serão vividos, pois princípios são inegociáveis. A palavra de Deus será respeitada e aplicada em cada vida.
A contra-cultura está aí, os movimentos chamados underground estão aí, e a igreja onde está? Qual tem sido o papel da igreja que deveria incluir também as diferenças. Historicamente temos convivido com diferenças raciais, econômicas, doutrinárias, mas teremos que aprender a conviver com as diferenças “tribais”.
Missão Urbana Integral – Comunidade e Tribos – Uma só Igreja
Igreja acorde! Esta é a hora de se relacionar.

FONTE: http://www.tribalgeneration.org/prt/conteudo.php?url=lercoluna&id=163

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Hino nacional

    Precisamos descobrir o Brasil!
    Escondido atrás das florestas,
    com a água dos rios no meio,
    o Brasil está dormindo, coitado.
    Precisamos colonizar o Brasil.

    O que faremos importando francesas
    muito louras, de pele macia,
    alemãs gordas, russas nostálgicas para
    garçonnettes dos restaurantes noturnos.
    E virão sírias fidelíssimas.
    Não convém desprezar as japonesas.

    Precisamos educar o Brasil.
    Compraremos professores e livros,
    assimilaremos finas culturas,
    abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

    Cada brasileiro terá sua casa
    com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
    salão para conferências científicas.
    E cuidaremos do Estado Técnico.

    Precisamos louvar o Brasil.
    Não é só um país sem igual.
    Nossas revoluções são bem maiores
    do que quaisquer outras; nossos erros também.
    E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
    os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...

    Precisamos adorar o Brasil.
    Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
    no pobre coração já cheio de compromissos...
    se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
    por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

    Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
    Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
    ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
    O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
    Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
    Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

                                         Carlos Drummond de Andrade